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Primeiro ano de vida

Os primeiros dias do bebê

A chegada de um bebê traz alegria, descobertas e muitas perguntas. Nos primeiros dias, pequenas mudanças nas mamadas, no sono, nas fraldas e no comportamento ajudam a compreender como ele está se adaptando.

Observe o conjunto: nenhum sinal deve ser interpretado isoladamente. O acompanhamento do peso e a avaliação do pediatra continuam sendo fundamentais.

Como saber se o bebê está mamando o suficiente?

O choro, sozinho, não responde a essa pergunta. Um bebê pode chorar por fome, mas também por sono, desconforto, necessidade de colo, frio, calor ou simplesmente vontade de sugar.

Para avaliar a alimentação, observamos o conjunto:

Nos primeiros dias, o número de fraldas molhadas aumenta progressivamente. Por volta do quinto ao sétimo dia, seis ou mais fraldas bem molhadas ao longo do dia costumam ser um sinal tranquilizador. Isso ajuda, mas não substitui a pesagem e a avaliação do bebê.

Preciso acordar o bebê para mamar?

Em algumas situações, sim. Durante os primeiros dias, um sono muito prolongado pode fazer com que o bebê perca mamadas importantes.

Essa atenção é ainda mais necessária quando o bebê nasceu prematuro ou com baixo peso, apresenta icterícia, perdeu mais peso, mama com pouca eficiência ou permanece muito sonolento.

O intervalo entre as mamadas deve seguir o plano definido para cada bebê. Quando a alimentação estiver bem estabelecida e o ganho de peso for adequado, geralmente haverá mais liberdade para acompanhar seus sinais de fome e saciedade.

A perda de peso nos primeiros dias é normal?

Alguma perda de peso costuma acontecer depois do nascimento. Entretanto, o percentual não deve ser interpretado sozinho.

O pediatra considera o peso de nascimento, a idade gestacional, o tipo de parto, a evolução das mamadas, a produção de leite, a urina, as fezes, a presença de icterícia e o estado geral do bebê.

A balança ajuda a mostrar se o caminho está funcionando. Por isso, a primeira reavaliação não deve ser adiada quando houver dificuldade para mamar, pouca urina ou sonolência excessiva.

E se for necessário complementar?

A necessidade de complemento não significa que a amamentação fracassou. Em algumas situações, ele funciona como um apoio enquanto o bebê ganha força, a produção de leite aumenta ou alguma dificuldade é corrigida.

Sempre que disponível e suficiente, o leite materno ordenhado é a primeira opção. Quando outra forma de complementação for necessária, a escolha, o volume, os intervalos e a maneira de oferecer devem ser individualizados.

O plano não precisa ser definitivo. Ele poderá ser revisto conforme o bebê mama melhor e evolui no peso.

Como escolher as roupas?

Observe o ambiente e toque o tronco ou a nuca do bebê. Mãos e pés mais frios, isoladamente, não significam que ele precise de mais roupas.

Suor, pele muito quente, rosto avermelhado e nuca úmida podem indicar excesso de agasalhos. Durante o sono, evite muitas camadas, cobertas soltas e qualquer objeto que possa cobrir o rosto.

Como cuidar da posição da cabeça?

Para dormir, o bebê deve permanecer de barriga para cima, em uma superfície firme, plana e sem objetos soltos.

Quando estiver acordado e sob supervisão, coloque-o por pequenos períodos de barriga para baixo. Alterne também o lado de onde vêm a luz, a voz e os estímulos. Essas medidas favorecem o desenvolvimento e ajudam a reduzir o achatamento da parte posterior da cabeça.

Preferência persistente por um lado, dificuldade para movimentar o pescoço ou assimetria progressiva da cabeça devem ser avaliadas.

E quando o nariz estiver congestionado?

Se a secreção estiver dificultando a respiração ou as mamadas, faça a higiene nasal com solução salina isotônica a 0,9%. Existem diversas apresentações prontas no mercado, como gotas, ampolas individuais e dispositivos de jato suave apropriados para bebês e crianças.

O objetivo é umedecer e mobilizar a secreção delicadamente, e não introduzir grande volume de líquido sob pressão. Prefira realizar a higiene antes das mamadas, aplicando uma pequena quantidade e deixando que a solução e a secreção escorram naturalmente.

Limpe apenas a parte visível da entrada do nariz. Não introduza cotonetes, bicos ou outros objetos profundamente nas narinas.

Não use descongestionantes nasais medicamentosos ou vasoconstritores em bebês ou crianças. Eles não fazem parte das minhas orientações pediátricas, mesmo quando disponíveis sem receita.

Também não recomendo lavagens nasais realizadas com seringas, especialmente em bebês e crianças pequenas. A pressão é difícil de controlar e não é necessária para a higiene nasal cotidiana. Em bebezinhos, essa prática deve ser evitada ainda com mais rigor.

Se a obstrução estiver dificultando persistentemente as mamadas, o sono ou a respiração, o bebê deverá ser avaliado.

Cuidados com a pele e a região da fralda

Trocas frequentes, limpeza suave e ausência de atrito ajudam a proteger a pele. Quando necessário, uma camada de creme de barreira pode reduzir o contato da pele com a urina e as fezes.

Vermelhidão intensa, feridas, bolhas, secreção, pontos ao redor da lesão ou ausência de melhora precisam de avaliação. Placas brancas na boca que não saem facilmente também devem ser mostradas ao pediatra, pois podem corresponder ao chamado sapinho.

Evite iniciar medicamentos por conta própria. Nem toda irritação possui a mesma causa ou necessita do mesmo tratamento.

Quando não é seguro esperar?

Procure avaliação sem demora se o bebê apresentar:

O WhatsApp pode ajudar na comunicação, mas não deve atrasar a procura por atendimento quando houver um sinal de gravidade. Consulte também a página Quando procurar atendimento imediato.

Cada bebê precisa de um plano próprio: prematuridade, baixo peso, icterícia, dificuldades na amamentação e outras condições podem modificar completamente a conduta. Estas orientações ajudam a família a observar o bebê, mas não substituem a consulta.

Referências

Ministério da Saúde. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar.

Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: cuidados gerais.

American Academy of Pediatrics. How to Tell if Your Breastfed Baby Is Getting Enough Milk.

American Academy of Pediatrics. Sleep-Related Infant Deaths: Updated 2022 Recommendations.